Para quem padece com dores, lidar com esta experiência desagradável, é motivo de sofrimento, tanto físico, como emocional.

Sentir dor pode prejudicar a concentração e a capacidade de realizar com êxito, as tarefas no trabalho ou do quotidiano. Já imaginou ter que concentrar-se no trabalho quando padece de uma enxaqueca forte? Dependendo da intensidade da dor, quem sofre com ela, pode chegar a entrar em depressão, angústia e/ou tristeza, perdendo assim qualidade de vida. Como lidar com a dor? Como se abstrair da dor e poder suportá-la? Que recursos podemos utilizar, além de medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios?

A Acupuntura assegura o correto funcionamento de todos os sistemas do organismo, promovendo equilíbrio, saúde e bem-estar. Estimula assim uma resposta natural do organismo, no combate às doenças. Existem estudos científicos que validam a eficácia da acupuntura também no tratamento da dor.

O que é a dor?

A dor é a sensação que experimentamos quando sofremos uma lesão, seja física ou emocional. Sentir dor é algo incomodativo, é o oposto do prazer, compromete o bem-estar social e emocional do indivíduo. A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), em 1986, qualificou a dor como uma “experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões. A dor é sempre subjetiva. Cada indivíduo aprende a utilizar este termo através de suas experiências”. Segundo o Centro Multidisciplinar da Dor, “a percepção da dor é caracterizada por uma experiência multidimensional que envolve as dimensões neurofisiológicas, afetivas, comportamentais, emocionais, culturais, sociais e religiosas”.

Porque sentimos dor?

A dor tem como objetivo principal proteger o nosso organismo; funciona como um alarme que avisa sempre que há algo de errado com ele. As pessoas que têm partes do corpo anestesiadas como ocorre nos acidentes vasculares cerebrais, por exemplo, podem ferir-se sem perceber, ou mesmo pessoas com insensibilidade congénita à dor, quando se machucam gravemente, podem não sentir a lesão e ficar com sequelas permanentes.

Precisamos compreender que a dor não é uma doença; podemos percebê-la como uma sensação ruim que sentimos quando algo de errado está a acontecer com o nosso corpo. As dores ocorrem por diversos motivos: traumatismos, inflamações, infecções, queimaduras, fibromialgias, TPM, problemas na coluna e articulações, neuropatias, nevralgias, lesões por esforços repetitivos, convalescença pós-operatório, compressões das raízes nervosas, constrição dos vasos sanguíneos, dilatações musculares ou viscerais, etc. Ainda existem as dores emocionais, sem causa fisiopatológica nem lesão física e dores do membro fantasma, sentida mesmo na ausência do membro que tenha sido amputado.

A dor pode ser localizada ou difusa; podemos caracterizá-la de inúmeras formas, como por exemplo: dor em queimadura, dor em pontada, dores de cólicas, dores que se irradiam por trajetos nervosos, como as dores ciáticas, dores referidas, que são sentidas à distância do órgão afetado, como no enfarte do miocárdio, etc.

A dor pode surgir na zona cutânea, estas são simples e de curta duração, como queimaduras de primeiro grau, cortes e pancadas superficiais. Já a dor considerada somática é uma dor mal localizada e de longa duração, tem origem em ligamentos, ossos, tendões, como uma torção num membro ou quando ocorrem fraturas. A dor visceral é localizada em órgãos e cavidades internas do corpo, e a sensação de dor é intensa, mas difícil de localizar, como por exemplo no ataque cardíaco.

Podemos sentir dor aguda ou crónica. A dor aguda manifesta-se por um período de tempo curto, dura apenas alguns segundos, dias ou semanas e é facilmente identificada, como por exemplo: inflamações, lesões, queimações, doenças, como cólicas menstruais, dor de cabeça, etc. A dor crónica pode durar meses ou anos, manifesta-se por um período de tempo muito longo, chegando a causar sérios distúrbios emocionais, desânimo e debilitar muito quem a sente, temos como exemplo artrose, artrite, gota, a síndrome da fadiga crónica, síndrome dolorosa miofascial, fibromialgia, doença inflamatória do intestino, enxaqueca frequente, etc.

 

A intensidade com que se sente a dor, pode ser graduada como leve, moderada e severa, variando de um simples desconforto à agonia; é afetada por diversos fatores: pelas condições culturais, emocionais, ambientais, etc. Um mesmo estímulo pode produzir diferentes respostas em diferentes pessoas sob condições semelhantes. O limiar da dor varia, de acordo com as características inerentes à pessoa que a sente, é definido como o momento em que certo estímulo passa a ser reconhecido como doloroso. O nível de tolerância é definido como o ponto em que o estímulo doloroso alcança tal intensidade que não pode mais ser suportado.

Como é o mecanismo da dor?

Todo o nosso organismo se comunica e interage através de células nervosas; do cérebro e da medula saem nervos, que se prolongam por todo o corpo, são semelhantes a galhos de árvores que vão criando ramificações, circuitos neurais e, a partir daí chegam a todas as partes do corpo. Assim é formado o nosso Sistema Nervoso, que detecta estímulos externos e internos e desencadeia as respostas musculares e glandulares, sendo responsável por manter a integração do organismo com o meio ambiente.

O Sistema Nervoso é composto por dois sistemas funcionais: o Sistema Nervoso Periférico, formado por nervos que se originam no encéfalo e na medula espinhal, estendem-se por todo o corpo e o Sistema Nervoso Central, formado pelo encéfalo e pela medula espinhal.

É através do Sistema Nervoso Periférico que o estímulo da dor é percebido e captado. As inúmeras terminações e estruturas nervosas permitem a interação com o meio externo e faz-nos perceber as sensações táteis, frio, calor ou dor. Estas terminações nervosas livres, os nervos sensoriais e motores da coluna espinhal conectam os tecidos e órgãos ao Sistema Nervoso Central, que coordena todas as atividades do corpo.

Como reage o organismo e cria a perceção de dor?

Quando a pessoa sofre uma lesão, por exemplo, ao queimar a mão numa chapa quente, as células nervosas nociceptores, que percebem a lesão tecidual, estimulam-se e mandam sinais para a medula espinhal e daí para o encéfalo. O processo é feito por células chamadas neurónios, que carregam informações em forma de impulsos elétricos de uma região para outra. No Sistema Nervoso Central, na medula espinhal, são ativadas as reações reflexas, sensibilizando vias motoras para tirar imediatamente a mão da chapa quente (arco reflexo); da medula espinhal, o impulso nervoso também é transmitido ao cérebro, onde, ao ser interpretado, permite a pessoa ter consciência da lesão. Redes de modulação também são ativadas pelo encéfalo, para segregar endorfina e encefalina, substâncias químicas libertadas em situações de dor, para ajudar a regulá-la e reduzí-la.

Todas essas redes e vias trabalham juntas para criar a experiência dolorosa, prevenir mais lesão e ajudar a pessoa a lidar com a dor. Este sistema é semelhante para todos, no entanto, a sensibilidade e a eficácia desses circuitos cerebrais determinam o quanto cada pessoa sente e como lida com a dor. Essa é a razão pela qual algumas pessoas sentem mais dor do que outras, e porque algumas desenvolvem dor crónica, que não respondem ao tratamento, enquanto outras respondem bem.

Normalmente, a ciência médica convencional se vale de métodos exógenos, como medicamentos farmacêuticos e até operações, para tratar a dor e sua causa. Vão desde relaxantes musculares, com substâncias analgésicas e anti-inflamatórias (drogas sem receitas, que podem agir nas células onde o sinal doloroso começa), para aliviar uma dor muscular simples, a drogas analgésicas mais fortes e, anestésicos, como por exemplo, a morfina, derivada do ópio, que trabalham para diminuir a atividade nos circuitos de sensibilidade dolorosa, ou sensibilizando nossos sistemas de libertação de endorfinas e encefalinas. No entanto, todos estes fármacos, embora eficazes, possuem efeitos colaterais e causam dependência física e psicológica, quando utilizados por um período longo.

Para as pessoas que sofrem de dor crónica grave, que é a dor que pode durar meses, ou mesmo anos, depois da lesão ter sido curada, nenhum dos tratamentos convencionais funcionam. O tratamento da dor, especialmente a dor crónica, deve ser multidisciplinar; além do médico, deve recorrer-se ao profissional de Acupuntura e/ou ao psicólogo, por exemplo.

A técnica de Acupuntura consiste na colocação de agulhas muito finas em pontos específicos do corpo. A sua ação tem sido demonstrada em pesquisas científicas, que explicam seu funcionamento assim: A inserção de agulhas de Acupuntura em pontos específicos, de acordo com diagnóstico próprio da Medicina Tradicional Chinesa, de onde a Acupuntura faz parte, estimula as terminações nervosas existentes no corpo, enviando sinais até ao Encéfalo. Desencadeiam efeito neuromodulador sobre o Sistema Nervoso Periférico e Central e sobre os neurotransmissores.

Para o tratamento da dor, a acupuntura estimula no Sistema Nervoso, a libertação de encefalinas (substância opióide endógena), que causam a inibição pré e pós sináptica (ligação neuronal) do estímulo da dor. Também estimula a via opióide endógena de inibição da dor, que liberta endorfinas e encefalinas, causando a inibição do estímulo da dor, de maneira natural, segura, sem efeito colateral e sem causar dependência.

O nosso organismo possui sistemas, tais como os já citados acima: Sistema Nervoso Central (Encéfalo e Medula Espinhal), Sistema Nervoso Somático (nervos cranianos, raquidinianos e gânglios nervosos), Sistema Nervoso Autónomo (Simpático e Parassimpático), Sistema Endócrino ou Hormonal, que proporcionam basicamente tudo o que o organismo precisa, para estar saudável e são responsáveis por manter a homeostase (condição de relativa estabilidade da qual o organismo necessita para realizar suas funções adequadamente para o equilíbrio do corpo).

A Medicina Tradicional Chinesa auxilia o organismo a tratar-se a si próprio, através de estímulos nestes sistemas, fortalecendo as atividades do Sistema Imunológico e a favorecer que o organismo se mantenha saudável e a funcionar corretamente. O tratamento da MTC não só é feito com o estímulo direto (Acupuntura, Moxa, Ventosas, Eletroestimulação etc.), mas podem haver recomendações de Fitoterapia (ervas chinesas), Dietética Chinesa (alimentação segundo a MTC) e prática de Chi Kung ou Qi Gong (ginástica terapêutica e meditativa).

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